segunda-feira, 29 de abril de 2013

Doença profissional mata 2 milhões de pessoas por ano em todo o mundo

Relatório da OIT divulgado nesta terça-feira (23) mostra que 2,34 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência do trabalho, sendo que 86,3% das mortes são causadas por diversas doenças

São Paulo – Relatório divulgado hoje (23) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) informa que acontecem 2,34 milhões de mortes em decorrência do trabalho em todo o mundo, sendo 2,02 milhões (86,3%) causadas por diversos tipos de doenças profissionais e 321 mil em consequência de acidentes. São 6.300 mortes diárias relacionadas ao trabalho, 5.500 causadas por doenças. “Trata-se de um déficit inaceitável de trabalho decente”, afirma a entidade. “As enfermidades profissionais são causa de enormes sofrimentos e perdas no mundo do trabalho, mas permanecem praticamente invisíveis em relação aos acidentes, ainda que provoquem ao ano um número de mortes seis vezes maior.” No próximo domingo (28), celebra-se o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Doenças e Acidentes do Trabalho.


De acordo com a OIT, anualmente “se produzem 16 milhões de casos de enfermidades não mortais relacionadas com o trabalho”, diz o informe. Os tipos e tendências da doenças “variam consideravelmente”, segundo a organização, que cita, entre outros, o exemplo da China, quem em 2010 notificou ter registrado 27.240 casos de enfermidades profissionais, incluídas 23.812 provocadas por exposição a partículas de pó no local de trabalho.

O relatório cita o Brasil, onde se calcula que 6,6 milhões de trabalhadores estejam expostos a partículas de pó de sílica. “Estudos feitos na América Latina revelam uma taxa de prevalência de silicose entre os mineiros (trabalhadores na mineração) de 37%, e de 50% entre os mineiros com mais de 50 anos”, afirma. A silicose é uma doença respiratória comum também na construção civil.



A OIT chama a atenção também para os riscos das mudanças tecnológicas, sociais e de organização “como consequência da rápida globalização que vivemos”. Segundo a entidade, “ainda que alguns dos riscos tradicionais tenham diminuído graças à maior segurança, aos avanços técnicos e à melhor regulamentação existentes, eles seguem afetando gravemente a saúde dos trabalhadores”. Ao mesmo tempo, aumentam “novos tipos de enfermidades profissionais sem que se apliquem medidas de prevenção e controle adequadas”. Seriam exemplos, “as novas tecnologias, como as nanotecnologias e determinadas biotecnologias”, que comportam novos e não identificados riscos. “Entre os riscos emergentes, se incluem as condições ergonômicas deficientes, a exposição à radiação eletromagnética e os riscos psicossociais.”

Ainda conforme o relatório, mais da metade dos países não proporcionam estatísticas adequadas a respeito. “Os dados disponíveis se referem principalmente a lesões e mortes. Poucos países compilam dados separados por sexo. Isso não só torna mais difíceis a identificação das lesões ou doenças profissionais específicas de homens e mulheres, como também impede o desenvolvimento de medidas de prevenção eficazes”, afirma OIT, que também ressalta o alto custo dos acidentes, para todas as partes (trabalhadores, empregadores e poder público), enfatizando a importância da prevenção. “O controle regular do ambiente de trabalho e a vigilância da saúde dos trabalhadores facilita aos empregadores prevenir e notificar os casos de doenças profissionais.”



Fonte: Redação da Rede Brasil Atual