quinta-feira, 28 de junho de 2012

Flávio Peralta em palestra na Editora Santuário

Exemplo de vida

Matéria feita por Eduardo Gois

Author: Eduardo Gois

Eu e Flávio Peralta, após Palestra na Editora Santuário

Hoje foi um dia especial, pois tive o prazer de conhecer Flávio e Jane Peralta. Eles são os idealizadores do site www.amputadosvencedores.com.br. Os dois correm o Brasil inteiro dando palestras sobre segurança do trabalho.
Em fevereiro deste ano fiz uma matéria para o JS sobre a história de vida dele, mas por ter realizado a entrevista por e-mail, só agora tive o prazer de conhecer pessoalmente. Foi durante a SIPAT – Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – da Editora Santuário. Fico feliz da matéria ter rendido também uma participação na SIPAT. 
Veja que bacana ficou a matéria:


Não posso deixar de lembrar que fui presenteado com os livros: Amputados Vencedores e Os Peralta. Estou ansioso para começar a ler

Eu e Jane Peralta
Volta por cima

SUPERAÇÃO/ EX-ELETRICISTA FLÁVIO PERALTA DESCOBRE QUE HÁ VIDA PÓS-ACIDENTE DE TRABALHO
O dia 21 de agosto de 1997 representou uma grande mudança na vida do ex-eletricista Flávio Peralta. Atos inseguros e más condições de trabalho resultaram em um choque elétrico de 13.800 volts.
A descarga elétrica fez com que Peralta perdesse os dois braços e começasse um momento de grande ruptura em sua vida.
Foram 45 longas noites na cama do hospital que pareceram anos, segundo Flávio: “Encontrei forças em Deus para continuar vivo. Daquele momento em diante eu não faria mais nada sozinho e precisaria de ajuda para tudo”.
Ele tinha somente um pensamento naquele hospital: “Vou colocar uma prótese. Quando tive alta e fui morar com minha irmã Fátima e seus filhos Cirilo e Breno, tivemos que nos condicionarmos a um novo estilo de vida”.
Usar uma prótese parecia um novo começo para o eletricista. São Paulo seria o destino na busca da esperança e também uma tentativa de normalizar a vida. A cada viagem de ônibus que fazia de volta a Londrina (PR), Flávio voltava cheio de fé.
“Chegou então o grande dia: pegaria minha prótese do braço direito. Justamente aquele que não tinha cotovelo. Quando entrei na sala e vi aquele objeto sobre a mesa, eu quase desmaiei. Fiquei branco e pensativo. Como poderia dar certo?”
Passados 40 dias Peralta aprendeu a manejar todos os movimentos da mão mioelétrica, com o uso de um equipamento eletrônico. “Eu abria e fechava a mão com movimentos dos músculos, então acreditava que faria muitas coisas com aquela prótese, afinal ela mexia os dedos e o cotovelo era mecânico. Antes disso fizemos a compra sem ter visto nenhuma foto dela. Quando coloquei a prótese do braço direito, foi impossível usá-la. Ela me machucou muito e nunca a usei.”
Após várias tentativas para colocar a prótese, a decepção de todos ficou estampada nos rostos. O resultado não atendeu as expectativas.
“Quando cheguei em casa, fiquei arrasado e precisei esperar mais um ano para colocar a outra prótese do braço. Investi no braço esquerdo e realizei mais quatro cirurgias nele para poder prepará-lo para a nova prótese. Só não sabia onde faria, pois a decepção que tive na primeira me deixou muito indeciso.”
Apesar disso, Peralta nunca revoltou-se com Deus. Ao contrário, ele queria viver cada dia mais cheio de fé e esperança.
Para Flávio as dificuldades não foram poucas durante esse período, pois ele não conseguia comer sozinho, tomar banho, vestir-se, escovar os dentes, beber água ou pegar qualquer objeto. Por isso, precisava da ajuda de alguém até mesmo para realizar as necessidades fisiológicas básicas. “Isso foi o mais difícil, pois passei a precisar das mãos de outra pessoa para tudo, e a família de minha irmã Fátima foi fundamental. Ela, meu ex-cunhado, seus filhos e empregada me atendiam em tudo que eu precisava. O mais complicado era quando precisava ir ao banheiro. Foi a pior parte.”
Somente em 1999, após dois anos de acidente, ele conheceu a prótese que esperava. “Eu estava tão animado que tinha certeza de que tudo daria certo. Dessa vez, fui para a cidade de Sorocaba (SP)”, explica Flávio, tomado por uma nova alegria no coração.
Em 15 dias o eletricista já conseguia realizar diversos movimentos e já não era mais tão dependente da família.
“Levei algum tempo para perceber que as coisas mudariam em minha vida e poder fazer pequenas coisas que eu nem mais me lembrava. Eu precisava compreender que poderia ser mais independente usando a prótese e fazer o outro também entender que eu poderia me virar sozinho.”
Com o tempo escovar os dentes, usar o controle da televisão, digitar no computador e pegar numa garrafa d’água devolvia a Peralta a vontade de viver novamente.
“Como é tão bom ser independente nas pequenas coisas. Fazemos tantas coisas quando temos braços que só damos conta disso quando não os temos mais.”

De volta à vida


Conheça mais sobre os 
Amputados Vencedores pelo site:
www.amputadosvencedores.com.br

Ao se casar em 2001, Flávio ganhou uma esposa (Jane) e, junto com ela, um computador. “Eu nunca tinha digitado uma tecla sequer. Só tinha datilografia”, brinca.
Enquanto a esposa de Peralta saía para trabalhar, ele ficava em casa tendo aulas de informática. Nasceu, então, o site “Amputados Vencedores”.
“Eu não queria que as pessoas sofressem como eu sofri para colocar uma prótese. Por isso colocamos muitas informações sobre o assunto na internet.”
Foi pelo site que o presidente de uma empresa multinacional o encontrou. Precisava de um sobrevivente brasileiro de acidente de trabalho que contasse sua história em um evento da empresa. Peralta foi contatado por quatro vezes e negou todos os pedidos de participação no evento, mas posteriormente convencido por sua mulher, Jane, ele aceitou ir até Curitiba partilhar seu testemunho.
“Quase desmaiei para falar um minuto.” Mal sabia ele que aquela participação resultaria em mais de 500 palestras pelo Brasil afora e dois livros.